sexta-feira, 27 de julho de 2012

A tristeza permitida

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra. Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra. A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas. “Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia. Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
 Martha Medeiros

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Paraísos Artificiais




Pense num  lugar incrível. Num grupo de pessoas que viajam com um único propósito: desligar-se do mundo real cinza, corrido e estressado para se reconectarem com a natureza e finalmente deixar a música lhes envolver e  transcender. Tudo mto bacana, mas, o preço da liberdade adquirida pode sair caro. Tbém passei pela fase do encantamento desse universo e curti cada minuto, demasiadamente. Mas, hoje em dia afirmo categoricamente que não vale a pena. Arrependimentos? De forma alguma, experiência de vida. 
O filme retrata em si parte do que a maioria viu ou viveu nesse tipo de habitat dos que se consideram espíritos livres e a viagem nem sempre tem final feliz pois beira os extremos. Na ficção não houve sequer um final entre o casal que apaixonou-se mais de uma vez. E a gente se pergunta, como é que fica?
Não fica. Uma outra história há de ser escrita e que não faz parte do movimento, o qual é efêmero.



"Seus anjos e demônios estão todos dentro de você. As drogas só potencializam o que já existe."
 Mark - Paraísos Artificiais



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sneakers



O tênis de salto acoplado virou febre da noite para o dia, tanto que o termo Sneakers (tênis) foi além da ala fashion e geral já sabe do que se trata. Quem lançou moda foi a grife francesa Isabel Marant, e o sucesso foi de imediato, chamando atenção de outras marcas que não deram trégua. Copiaram sem dó e colocaram a disposição o famoso modelo, entre outras opções com tachas, cadarço e cores variadas, a fim de agradar a mulherada que está em busca da proposta: conforto + estilo. Fui uma das que fiquei na dúvida se queria ou não um desses pra mim. Achei bacana, mas a questão era se, não havia me empolgado com tamanho falatório. Pois, na primeira promoção relâmpago realizada pelo Privalia da Ana Karan oferecendo o objeto de desejo a 100 mangos, lá estava eu sacando do cartão de crédito. E o dito cujo, demoraria mais de mês até chegar, inclusive ainda não chegou. Resta saber se valeu realmente a pena ou ano que vem vai estar encostado no fundo do armário junto aquela bota plataforma ‘pata de bode’ cafona, que sabe-se lá o que me deu na cabeça um dia de querer usar.


Modismo, ou achado?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Feliz dia do amigo

O tempo vai passar.
E os anos vão confirmar, essas palavras que proferi 
Yeah!
Amigo estou aqui  


terça-feira, 17 de julho de 2012

Dobradinha Marilyn Monroe



Aparentemente, Marilyn  não passaria de uma garota comum nos dias de hoje. De estatura mediana, quadris largos, uma barriguinha de leve, sem clareamento nos dentes ou silicone nos peitos, consagrou-se diva da década de 50. Permanece na memória até de quem não viu nem o cheiro, do Chanel n° 5 que ela dizia vestir para dormir. E volte e meia é relembrada pelo glamour e forte presença de espírito, inclusive há pouco virou filme. Interpretada no cinema por Michelle Williams em Sete dias com Marilyn.

O que ela tem de tão especial?
Precisei assistir pelo menos um de seus filmes, antes de acompanhar a recente biografia. Para  tentar compreender o fascínio que essa mulher exercia/exerce até então.

     Quanto mais quente melhor 1959

Comédia em preto & branco, das mais divertidas que já vi. A história é a seguinte: dois músicos figuras, testemunham uma espécie de massacre e dão fuga dos gangstas responsáveis pela chacina. Infiltrando-se numa banda de mulheres e aprontando poucas e boas. Marilyn faz parte da banda. Quão graciosa era! Acho que a coisa ia um pouco além de formas e um rosto bonito. Sua expressão era algo fantástico, mesmo coberta dos pés a cabeça deixava a gente extasiado. 

    Sete dias com Marilyn

É um filme lindo! O qual mostra uma mulher um pouco diferente da que estávamos habituados a ouvir dizer. Da sensualidade gritante explorada na telinha para uma intensa fragilidade, da qual a atriz acabara por entupir-se de barbitúricos a fim de conseguir manter-se em paz consigo mesma. Na trama, o esperto Colin Clark (Eddie Redmayne) assistente de produção/obcecado por Marilyn, é dos poucos que conseguem dar a ela o que realmente precisava. Abraços sinceros! Que na vida real também sentia falta.




Comparações: Todos fazemos, não há como. Michelle consegue em alguns pontos do filme assemelhar-se por demais a Srta Monroe, especialmente do meio pra frente. Porém são pessoas diferentes, existe representação mas, imitação realmente não faria jus. Assim cheguei a conclusão de que talvez esse não fosse o ponto, afinal o que se vê nos olhos da Marilyn de Michelle é uma beleza frágil, errática, quase inocente. Diferentemente da loira exuberante que povoa nossa mente. Que mesmo morta tão nova (aos 36 anos) por uma suposta dose de calmantes, imortalizou-se como a mulher mais sexy do planeta.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O amor, um jogo perverso de vasos comunicantes



Muitas pessoas duvidam que uma relação onde há diferença de idade possa dar certo. Claro que pode!
Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado, e a idade nada tem a ver com isso, é apenas um detalhe na certidão de nascimento. O que transforma nossa vida amorosa num melodrama é a diferença de necessidades. Aí não há casal que encontre seu ponto de apoio, seu eixo e seu futuro.
Um quer compromisso sério; para o outro, amar já é sério o suficiente. Um quer filhos, o outro nem em sonhos. Um quer uma casinha no meio do mato, o outro é curioso, precisa de informação, cinema, teatro, gente. Um valoriza a transa antes de tudo, o outro acha que conversar é importante também. Ao menos, os dois gostam de dançar.
Um quer se sentir o centro do universo, o outro quer incluí-lo no seu amplo universo. Um quer fugir da solidão, o outro aceita a solidão. Um não quer falar de suas dores, o outro pergunta demais. Um briga por amor, o outro silencia por amor. Os dois se amam, isso não se discute.
Um não precisa conhecer o mundo, o outro traz o mundo em si. Um é romântico para disfarçar a brutalidade, o outro é doce para despistar a secura. Um quer muito de tudo, o outro se contenta com o mínimo essencial. Nenhum dos dois liga pra dinheiro, mas o dinheiro quase sempre está no bolso de quem viveu mais. Um fica inseguro, o outro diz que nada disso importa, mas claro que importa.
Um quer que lhe dêem atenção 24 horas, o outro precisa que o esqueçam por uns instantes. Um quer aproveitar cada réstia de sol, o outro gostaria de dormir um pouco mais. Um gostaria de saber o que não sabe, o outro queria desaprender metade do que a vida lhe ensinou. Um precisa berrar, o outro chora. Um quer ir embora e, ao mesmo tempo, não. O outro quer liberdade, mas a dois. Então um se vai e deita em todas as camas, sofrendo. E o outro mergulha sozinho na dor, sobrevivendo.
Diferença de idade não existe. A necessidade secreta de cada um é que destrói ilusões e constrói o que está por vir.
Martha Medeiros 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A moda e o rock

O Rock é pegajoso, nunca saiu de moda. A moda por sua vez, segue fiel ao estilo Glam rock ano após ano, independente da estação. Parece ter vida longa no guarda roupas.
Primeiro ressurgiu o xadrez e decidiu por aqui ficar, assim o jeans não se fez de rogado  voltou rasgadinho, detonado e até  pediu aplicações de tachas/spikes, logo a renda cansada de ser certinha, preferiu se misturar. Juntou tudo, deu mistura boa e a cada estação a moda resgata mais um item grunge, e o que vemos é a atitude rock tomando conta de sapatos ultra femininos como scarpins, peep toes; sapatilhas e boots, entre outros. Até o velho uniforme dos roqueiros veio pra festa, jaqueta de couro + t-shirt podrinha, aliados aos acessórios certos deixam de lado a fama de sujo, fazendo bonito em todo lugar.








terça-feira, 10 de julho de 2012

Ele é Ela

Ou vice e versa.
Não se trata de um homem afeminado ou mulher sapata, estamos falando de um terceiro gênero, que é indefinido. E isso não é de agora, Gabrielle Chanel em plena década de 20 em meio a camadas e camadas de saias ‘causou’ com seu look marinheiro, camisa sóbria listrada e calça sequinha. Pioneira na arte de quebrar regras se tratando da indumentária da moda. David Bowie, considerado o rei da androginia, aproveitava da sua condição de super astro para carregar na maquiagem, pintar os cabelos, colorir o visual, deitou/rolou para ser bem sincera. E seguindo a mesma cartilha, André Pejic se mantém já há algum tempo debaixo do holofotes. Cara e jeito de mulher, desfila tanto para as passarelas femininas quanto masculinas de maneira singular. E tem gente que nem se dá conta que se trata da mesma pessoa. Até de noiva o cara se vestiu! A geração atual tem mais liberdade de escolha e acesso a informações desde que nasce. Tanto que isso acabou influenciando estilistas a planejarem coleções neutras, já que a busca de mulheres pela moda masculina aumentou, a de homens pela feminina tbém. Lembrando que androginia não significa opção sexual e sim a falta de. É vestir e se inspirar em elementos do guarda roupas alheio e isso não quer dizer nada além da liberdade de escolha dos itens.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Medianeras: Buenos Aires na era do amor virtual

É uma história simples, bastante atual de pessoas que na verdade são dois amores e coincidentemente cruzam-se na capital frenética de Buenos Aires e não chegam a se conhecer. De uma fotografia interessante e urbanizada, pontos de vistas são expostos sobre coisas quase insignificantes como plantas que tem vida própria na cidade e medianeras que acabam levando o casal protagonista a um denominador comum, o ♥. E apesar de toda tecnologia que nos fazem cada vez mais solitários, junto a tensões do século 21. É preciso deixar de tanto pensar, de se entupir com informações e olhar para o que temos a nossa volta.
Esse blogue recomenda. ;)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A pergunta que não quer calar

O que você deseja?
É essa pergunta que separa a semente do estrume.
Uma das discriminações mais importantes que podemos fazer nesse sentido é a diferença entre o que acena para nós de fora e o que chama de dentro da nossa alma.

Clarissa Pinkola Estés

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Elas estão de volta: As luvas.

Direto do anos 20, têm aparecido com certa frequência nos editorias de moda. E além de protegerem do frio e serem utilizadas em alguns esportes, conferem charme/diferencial a produção. Podem ser vistas atualmente em casórios, teatros e outros eventos classudos. Daí para as ruas, combinadas ás roupas mais despojadas e contemporâneas. As luvas de couro femininas, são fáceis de combinar e vale tanto para os dias frios, quanto para o clima mais ameno. Como usar: Desde um look total couro ou combine com tecidos leves, como camisas e vestidos de malha. Tbém rola uma parceria boa com paetês, jeans, metais e peles fakes. Não existe restrições, desde que haja equilíbrio na composição. Podem ser usadas por baixo da roupa ou também aparentes (por cima das mangas), deixando o efeito “enrugadinho”.
Luvas by YSL
The Row
Ambas Marc Jacobs